De uma pergunta provocadora surge uma experiência de pertencimento e construção de representatividade… vamos acompanhar um relato da experiência da equipe da EMEB Sylvia da Silveira de Martini.
“A experiência nasceu da compreensão de que uma educação antirracista se constrói por meio de processos formativos contínuos, e não de ações pontuais.”
A inquietação sobre como proporcionar situações de aprendizagens potentes e contextualizadas sobre a educação antirracista mobilizou a equipe da EMEB Sylvia da Silveira de Martini no ano de 2025. A atividade foi tão positiva que se transformou em uma ação que ainda reverbera pela escola e pela comunidade escolar, nascendo da compreensão de que uma educação antirracista se constrói por meio de processos formativos contínuos, e não de ações pontuais.
Nos encontros de HTPC, as professoras ampliaram seus conhecimentos sobre as Relações Étnico-Raciais. Inspiradas por uma formação com a nigeriana Yetunde, passaram a questionar criticamente as referências negras presentes nos livros, brinquedos, imagens, espaços e propostas oferecidas às crianças. O percurso chegou às salas de aula através da literatura, conversas, apreciação artística, brincadeiras e investigação. Obras fundamentais como “A Pele que Eu Tenho” (bell hooks), “Quero colo” (Stela Barbieri e Fernando Vilela) e “O Pequeno Príncipe Preto” (Rodrigo França) impulsionaram o diálogo sobre identidade, beleza e representatividade. As crianças observaram imagens, exploraram diferentes formas de uso, escolheram materiais e criaram suas próprias composições. O processo culminou em um desfile onde cada estudante pôde apresentar sua criação, ocupar o espaço escolar e compartilhar suas descobertas com protagonismo.
Os registros (fotografias, falas e produções) não tiveram apenas função de memória; serviram para os professores refletirem sobre as aprendizagens, replanejar propostas e dar visibilidade aos processos vivenciados pelas famílias. Como resultado positivo e transformador observa-se a ampliação expressiva do repertório sobre referências afro-brasileiras, maior engajamento nas investigações e fortalecimento da capacidade de expressar ideias sobre identidade, pertencimento e beleza, destaca-se o protagonismo infantil em todas as etapas de escolha e criação. Já na prática dos docentes gradualmente qualifica-se o olhar para mudanças estruturais na seleção de materiais, livros e propostas pedagógicas. O olhar docente tornou-se mais intencional, compreendendo que a prática antirracista é diária e contínua. Na Comunidade Escolar, A exposição cultural e a participação das famílias ampliaram a circulação das aprendizagens para além da sala de aula, integrando a cultura afro-brasileira ao cotidiano escolar, para além de datas comemorativas. A experiência provou que combater o racismo na infância exige rever escolhas adultas e garantir ambientes que afirmem a dignidade e a diversidade. O maior resultado não foi o evento em si, mas o que permaneceu: um olhar docente intencional, crianças protagonistas e uma escola comprometida em fazer da representatividade uma prática viva todos os dias.





