Projeto desenvolvido pelo Programa de Alfabetização Garantida – PAG envolve estudantes do 3º ao 5º ano e valoriza as diferentes matrizes culturais que formam a identidade brasileira
A E.M. Professora Consuelo Apparecida Tavares Neme desenvolveu, por meio do Programa de Alfabetização Garantida (PAG), a experiência “Folclore Brasileiro: As Raízes Culturais que Nos Unem”, envolvendo estudantes do 3º, 4º e 5º anos do Ensino Fundamental.
Coordenada pela professora Cynthia Missao Carneiro, a proposta integrou alfabetização, letramento e valorização da diversidade cultural, utilizando o folclore brasileiro como ponto de partida para ampliar conhecimentos, fortalecer aprendizagens e promover o respeito às diferenças e às relações étnico-raciais.
Lendas, cantigas, brincadeiras, festas populares e outras manifestações culturais foram utilizadas como caminhos para que os estudantes compreendessem que o folclore brasileiro é resultado das contribuições de diferentes povos, entre eles indígenas, africanos e europeus.
A proposta foi articulada às práticas já desenvolvidas no PAG, envolvendo leitura compartilhada, produção textual, jogos de alfabetização, pesquisa, oralidade e atividades artísticas. Ao mesmo tempo, as experiências favoreceram o protagonismo estudantil e o desenvolvimento de competências socioemocionais, como cooperação, empatia, comunicação e respeito às diferentes identidades.
O projeto teve início com rodas de conversa sobre cultura, folclore e diversidade, valorizando os conhecimentos prévios dos estudantes.
Na sequência, foram apresentados vídeos sobre lendas brasileiras, povos indígenas, cultura africana e diferentes manifestações culturais do país. As experiências foram acompanhadas de registros escritos e ilustrações, possibilitando que os estudantes articulassem conhecimentos, linguagem e expressão artística.
A leitura compartilhada de lendas, parlendas, cantigas e adivinhas contribuiu para o desenvolvimento da fluência leitora, da interpretação e da produção textual.
Cada estudante também realizou uma pesquisa sobre quatro lendas e produziu um triorama, reunindo informações sobre o nome, as características, o habitat e a importância cultural dos personagens pesquisados.
Entre as atividades desenvolvidas, os estudantes participaram ainda de uma oficina de máscaras do Saci, relacionando a personagem às influências indígenas e africanas presentes na formação do folclore brasileiro.
A proposta possibilitou que um personagem conhecido do imaginário popular fosse estudado para além da simples narrativa, favorecendo a investigação sobre as diferentes contribuições culturais que compõem as manifestações brasileiras.
Para finalizar o percurso, os estudantes construíram um mapa cultural do Brasil, localizando lendas e manifestações características de diferentes regiões do país.
Dessa forma, leitura, escrita, oralidade, pesquisa, arte e trabalho colaborativo estiveram presentes de maneira integrada ao longo da experiência.
Os resultados demonstraram avanços na alfabetização e no letramento, especialmente na fluência leitora, produção escrita, oralidade e interpretação de textos.
Também foi observada maior participação dos estudantes nas pesquisas, apresentações e momentos de socialização dos trabalhos, com ampliação da autonomia, do interesse e do protagonismo.
Além das aprendizagens relacionadas à leitura e à escrita, a experiência contribuiu para ampliar o repertório cultural dos estudantes e fortalecer a compreensão de que o folclore brasileiro é resultado das contribuições de diferentes povos.
As atividades também favoreceram o desenvolvimento de competências socioemocionais, como empatia, cooperação, responsabilidade, criatividade, comunicação, escuta ativa e trabalho em equipe, fortalecendo o sentimento de pertencimento e a convivência respeitosa no ambiente escolar.
Um dos destaques da experiência foi a articulação entre a Educação em Tempo Integral, a Educação das Relações Étnico-Raciais e as práticas do Programa de Alfabetização Garantida.
Ao integrar jogos de alfabetização, leitura compartilhada, produção textual, rodas de conversa e projetos colaborativos ao estudo das matrizes indígena, africana e europeia presentes na cultura brasileira, a escola transformou o folclore em uma experiência interdisciplinar, significativa e inclusiva.
A proposta demonstrou que trabalhar a cultura brasileira também pode contribuir para fortalecer a alfabetização, ampliar repertórios, estimular a pesquisa e desenvolver estudantes mais conscientes da diversidade que constitui o país.
A experiência da E.M. Professora Consuelo Apparecida Tavares Neme evidencia que o processo de alfabetização pode ganhar ainda mais significado quando dialoga com a cultura, a história e as experiências dos estudantes.
Ao conhecer diferentes lendas e manifestações culturais, pesquisar suas origens, produzir textos, criar materiais e compartilhar descobertas, os estudantes não apenas desenvolveram habilidades de leitura, escrita e oralidade, mas também tiveram a oportunidade de reconhecer a riqueza das diferentes tradições que compõem a identidade brasileira.
O trabalho reafirma o compromisso da escola com uma educação equitativa, inclusiva e voltada à formação integral, fortalecendo o protagonismo dos estudantes, a cooperação e o respeito à diversidade.
Porque conhecer nossas raízes é também reconhecer a diversidade que nos forma, valorizar nossas histórias e compreender que diferentes culturas podem nos unir.


