De onde vem a feijoada? Crianças da Educação Infantil transformam o almoço em investigação sobre cultura e ancestralidade

Experiência realizada na Escola Municipal Professora Áquie Erruzo de Lara une alimentação, literatura, investigação e valorização das relações étnico-raciais

Uma simples refeição prevista no cardápio escolar se transformou em uma rica experiência de aprendizagem para as crianças da Escola Municipal Professora Áquie Erruzo de Lara. A partir da pergunta “De onde vem a feijoada?”, os estudantes foram convidados a investigar, levantar hipóteses e conhecer histórias relacionadas à cultura e à ancestralidade brasileira.

A experiência, intitulada “Raízes que nos Habitam: do cardápio à investigação — sabores, histórias e ancestralidades na Educação Infantil”, integra o projeto “Raízes que nos Habitam: Infâncias que Sentem, Vivem e Celebram a Diversidade”, desenvolvido pela escola com o propósito de promover, desde a infância, o reconhecimento das identidades, a valorização da diversidade cultural e a construção de relações pautadas no respeito.

A proposta nasceu de uma situação cotidiana: o momento da alimentação. Em determinado dia, o cardápio da escola apresentava feijoada campeã de pernil com legumes e farofa. A presença do prato despertou a curiosidade das crianças e abriu espaço para transformar uma situação comum da rotina escolar em uma experiência de investigação e aprendizagem.

Para iniciar a atividade, a equipe pedagógica apresentou uma panela grande e os ingredientes ainda crus. As crianças puderam observar, identificar e comentar os alimentos, compartilhar conhecimentos prévios e relatar experiências relacionadas às refeições vivenciadas em suas famílias. A partir das observações, levantaram hipóteses e formularam perguntas.

A investigação ganhou novos caminhos por meio da literatura. As crianças participaram da leitura do livro “Feijoada”, de Sonia Rosa, estabelecendo relações entre o alimento presente em seu cotidiano e aspectos da história e da cultura brasileira.

As conversas possibilitaram abordar, de maneira adequada à faixa etária, a presença e as contribuições das culturas africanas e afro-brasileiras para a formação da cultura brasileira, valorizando seus saberes, histórias e modos de viver. A proposta priorizou a escuta, a curiosidade e a participação ativa das crianças.

Depois da investigação, as crianças tiveram a oportunidade de vivenciar a refeição e encontraram no almoço a feijoada campeã, acompanhada dos demais alimentos previstos no cardápio. Dessa maneira, puderam relacionar o que haviam observado, questionado e discutido com uma experiência concreta da própria rotina escolar.

A experiência também contribuiu para ampliar o repertório cultural das crianças, estimular a curiosidade e a investigação, desenvolver a oralidade e fortalecer a capacidade de compartilhar conhecimentos e experiências. Além disso, favoreceu a valorização das diferentes culturas que constituem a sociedade brasileira.

Para a equipe pedagógica, a experiência revelou uma importante possibilidade: o cotidiano da escola pode se transformar em um potente território pedagógico. Uma refeição pode desencadear uma investigação; uma panela pode provocar perguntas; os ingredientes podem gerar descobertas; e um livro pode ampliar o olhar das crianças sobre a história e a cultura.

A prática também reforça a importância de trabalhar a Educação das Relações Étnico-Raciais de forma contínua, integrada às experiências cotidianas das crianças e não apenas em datas ou períodos específicos do calendário escolar.

Ao transformar o momento da alimentação em uma experiência de investigação, a Escola Municipal Professora Áquie Erruzo de Lara reafirma o compromisso com uma Educação Infantil que reconhece e valoriza a diversidade, promove o respeito e possibilita que as crianças construam conhecimentos a partir de experiências concretas, significativas e culturalmente contextualizadas.

Mais do que conhecer um prato, as crianças descobriram que os sabores também contam histórias — e que conhecer essas histórias é uma forma de valorizar nossas raízes.

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