Acreditar para transformar: prática pedagógica fortalece inclusão e aprendizagem no 5º ano

Experiência desenvolvida no 5º Ano A aposta no vínculo, na escuta e em estratégias personalizadas para superar barreiras de aprendizagem e fortalecer a autoestima dos estudantes

Acreditar no potencial de cada estudante foi o ponto de partida para uma experiência pedagógica desenvolvida com uma turma do 5º Ano A do Ensino Fundamental, a partir de fevereiro de 2026. Diante de uma turma heterogênea, marcada por dificuldades de aprendizagem e, em alguns casos, pela baixa autoestima e pelo descrédito na própria capacidade de aprender, a proposta buscou transformar a sala de aula em um espaço de acolhimento, confiança, participação e desenvolvimento.

A experiência, intitulada “Acreditar para transformar”, partiu da compreensão de que a segurança emocional e o sentimento de pertencimento são elementos importantes para favorecer o desenvolvimento cognitivo. Antes mesmo da introdução dos conteúdos curriculares formais, a prática priorizou a escuta, a observação e a construção de vínculos com os estudantes.

A partir da observação das necessidades da turma, foram elaboradas estratégias individualizadas, recursos assistivos e adaptações curriculares. O objetivo era compreender cada estudante para além de suas dificuldades ou diagnósticos, valorizando suas potencialidades e criando condições para que todos pudessem avançar.

Entre os estudantes acompanhados, estava uma aluna com diagnóstico de TEA e TDAH, que apresentava resistência às atividades, dificuldades de concentração e obstáculos no processo de aprendizagem formal. A professora utilizou personagens e temas relacionados aos seus interesses como disparadores para atividades de leitura e escrita. Gradualmente, a estudante avançou no processo de alfabetização, passou a demonstrar prazer em produzir suas próprias histórias e incorporou o abafador de ruídos como recurso de autorregulação sensorial.

Outro estudante, com Síndrome da Deficiência Postural (SDP) e alteração na visão funcional, enfrentava dificuldades importantes relacionadas à leitura, à escrita e aos registros. Para favorecer sua participação, foram realizadas adaptações no ambiente e nos materiais, incluindo mudança no posicionamento da carteira, orientação postural, atividades com fonte e layout ampliados e utilização de régua de lupa para leituras extensas.

Também recebeu atenção individualizada uma estudante que estava em processo de investigação diagnóstica e que, no início da experiência, ainda não reconhecia letras, inclusive as do próprio nome, nem numerais. Nesse caso, a intervenção priorizou a valorização de suas produções, o estímulo à oralidade e, principalmente, a construção de um vínculo de confiança.

Além das intervenções individualizadas, a proposta envolveu toda a turma por meio de metodologias ativas e aulas dinâmicas. Os estudantes foram incentivados a expressar opiniões, debater ideias e desenvolver atitudes de empatia e respeito diante dos diferentes ritmos e características dos colegas.

A experiência demonstra que a inclusão não se limita à oferta de recursos específicos para determinados estudantes. Ela também envolve a construção de uma cultura de sala de aula na qual as diferenças são reconhecidas, respeitadas e consideradas no planejamento das situações de aprendizagem.

Os resultados registrados ao longo da experiência apontaram avanços tanto no desenvolvimento individual quanto na dinâmica coletiva da turma.

Entre os avanços individuais, destacam-se a consolidação do processo de alfabetização e o aumento da autonomia na escrita narrativa da estudante com TEA e TDAH; a superação de barreiras de leitura e escrita, além do aumento da motivação e da autoconfiança do estudante com SDP e alteração visual; e o ingresso no processo de alfabetização da estudante em investigação, que passou a realizar a leitura de palavras e pequenas frases, reconhecer e manipular elementos do Sistema de Numeração Decimal e demonstrar maior autoestima.

No coletivo, a turma apresentou fortalecimento da empatia e do respeito aos diferentes ritmos e características. Também foi observada uma mudança na postura acadêmica dos estudantes, que passaram de uma participação mais passiva e insegura para uma atuação mais ativa, crítica e engajada nas atividades propostas.

A experiência desenvolvida no 5º Ano A evidencia a importância do afeto, do respeito à singularidade e da mediação pedagógica intencional na superação das barreiras de aprendizagem. Embora o acompanhamento dos estudantes continue sendo necessário, as transformações observadas demonstram os efeitos positivos de uma prática que alia inclusão, recomposição das aprendizagens e valorização das potencialidades individuais.

Ao reconhecer as identidades dos estudantes e atender às suas necessidades por meio de estratégias diversificadas e tecnologias assistivas, a prática possibilitou a reconstrução da confiança no próprio potencial.

A experiência reforça uma mensagem essencial para a educação pública: acreditar no estudante também é uma prática pedagógica. Quando o professor olha para cada criança de maneira singular, identifica possibilidades e cria caminhos para que ela avance, a sala de aula se transforma em um espaço de novas oportunidades.

E, como sintetiza a própria experiência, quando uma criança volta a acreditar em si mesma, essa pode ser uma das aprendizagens mais importantes de todas.

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