Comunicação alternativa amplia autonomia e inclusão de estudantes na E.M. Professora Consuelo Apparecida Tavares Neme

Prática pedagógica reconhece diferentes formas de comunicação e cria oportunidades para que estudantes com TEA possam expressar escolhas, necessidades e preferências no cotidiano escolar

A E.M. Professora Consuelo Apparecida Tavares Neme vem desenvolvendo uma prática de Educação Inclusiva que demonstra como reconhecer diferentes formas de comunicação pode transformar a participação dos estudantes no ambiente escolar.

Com o tema “Comunicação alternativa como caminho para autonomia e inclusão escolar”, a experiência, desenvolvida pelo Coordenador de Serviços Flavio Celso Jacinto Junior, parte de uma concepção fundamental: a ausência da fala não significa ausência de comunicação.

A proposta surgiu a partir do acompanhamento de estudantes com Transtorno do Espectro Autista – TEA que não utilizam a fala como principal meio de comunicação. O trabalho busca construir caminhos comunicativos que respeitem as características individuais de cada estudante e possibilitem que diferentes formas de expressão sejam reconhecidas e utilizadas de maneira funcional na rotina escolar.

A inclusão escolar vai além de garantir a presença do estudante na escola. É preciso criar condições para que ele possa participar, fazer escolhas, expressar necessidades, manifestar preferências e desenvolver sua autonomia.

Nesse sentido, a comunicação ocupa um papel fundamental. A prática desenvolvida na escola utiliza, de forma integrada, recursos de comunicação alternativa e aumentativa, suportes visuais, gestos, apontar, expressões e possibilidades de escolha inseridas nas situações reais do cotidiano.

O trabalho foi desenvolvido de maneira sistemática com Jorge Noah, atualmente estudante do 1º ano do Ensino Fundamental. As estratégias construídas também foram utilizadas com Felipe You Hide, estudante do 5º ano, ampliando a experiência para diferentes etapas da escolarização.

O trabalho teve início com a observação individualizada dos estudantes, buscando compreender como cada um já tentava se comunicar e quais recursos poderiam favorecer sua expressão.

No acompanhamento de Jorge, foram introduzidos e sistematizados recursos visuais e comunicativos, especialmente pranchas de SIM/NÃO, pranchas com itens e atividades, além da valorização de gestos, apontar e troca de olhares.

Com o passar do tempo, os recursos deixaram de ser utilizados exclusivamente com a mediação direta do adulto e passaram a assumir uma função comunicativa mais independente. Jorge passou a apontar autonomamente itens desejados, expressar recusas e demonstrar preferências de maneira mais clara.

A comunicação também foi incorporada às situações concretas da rotina. Dessa forma, uma prancha deixou de ser apenas um recurso pedagógico e passou a representar uma possibilidade real de tomada de decisão e participação. Da mesma maneira, o apontar, os gestos e o olhar passaram a ser reconhecidos como integrantes de um repertório comunicativo mais amplo.

Um dos diferenciais da experiência é justamente compreender a comunicação como um caminho para a autonomia.

As estratégias utilizadas buscaram deslocar o estudante de uma posição predominantemente receptiva para uma participação mais ativa na rotina escolar, contribuindo também para reduzir situações de frustração e momentos de crise.

Também foram utilizados recursos de antecipação e contagem regressiva para favorecer a compreensão das transições entre atividades. Em determinadas situações, Jorge passou a compreender os avisos de encerramento e a entregar voluntariamente o objeto que estava utilizando após a sinalização.

As estratégias construídas durante o acompanhamento de Jorge também foram utilizadas com Felipe You Hide, estudante do 5º ano com TEA e sem comunicação verbal funcional.

A ampliação da prática demonstrou que os princípios da comunicação alternativa podem ser utilizados em diferentes etapas da escolarização, desde que sejam respeitadas as características, necessidades e possibilidades de cada estudante.

A proposta não consiste, portanto, em utilizar uma única prancha ou um recurso padronizado, mas em construir possibilidades de comunicação acessíveis e funcionais, selecionando os recursos que melhor favoreçam a expressão e a participação de cada criança.

Entre os resultados registrados estão a utilização mais funcional das pranchas de comunicação, o apontar autônomo para indicar itens desejados, a expressão mais clara de recusas, a manifestação de preferências, a ampliação da intenção comunicativa por meio de gestos, apontar e troca de olhares, além de maior participação nas atividades e compreensão das transições da rotina.

Os avanços também puderam ser percebidos em situações cotidianas. Durante a alimentação, por exemplo, Jorge, que anteriormente não segurava a banana sozinho, passou a segurá-la por conta própria.

A principal contribuição da experiência está na mudança de perspectiva sobre a comunicação dos estudantes com TEA que não utilizam a fala como meio funcional de comunicação.

Em vez de esperar que a fala se desenvolva para então reconhecer o estudante como sujeito comunicativo, a escola passou a criar condições para que ele pudesse se expressar a partir das habilidades e dos recursos que já possuía.

Nesse contexto, a comunicação alternativa deixa de ser apenas um recurso de apoio e passa a constituir uma ferramenta de inclusão, participação e autonomia.

A experiência da E.M. Professora Consuelo Apparecida Tavares Neme demonstra que construir caminhos comunicativos acessíveis pode transformar a relação do estudante com a escola e com as pessoas ao seu redor.

Mais do que ensinar o uso de um recurso, a prática convida a própria escola a aprender a escutar diferentes formas de comunicação.

Porque quando uma criança aponta, olha, gesticula, escolhe ou utiliza uma imagem para expressar aquilo que deseja, ela está comunicando. E quando a escola reconhece essa comunicação e cria condições para que ela aconteça, deixa de apenas incluir o estudante no espaço escolar e passa a oferecer condições efetivas para que ele participe, escolha e desenvolva sua autonomia.

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